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Retrato em Preto e Branco




Ainda sinto o gosto do chocolate fresco que eu me lambuzava, adorava sentir aquela sensação prazerosa e gostosa. Eu tinha 7 anos, uma criança alegre, vivia cantando e dançando pela casa. Curioso, adorava fazer novas descobertas, me perder da minha professora no colégio me fazia descobrir novos lugares para brincar. 

Engraçado, hoje penso o que se passava na cabeça de um garotinho de 7 anos? Sem problemas, sem responsabilidades... um aluno aplicado. E não falo isso porque eu mesmo estou escrevendo sobre mim, minhas notas sempre foram boas o suficiente para nunca na minha vida eu ter ficado de recuperação. 

A primeira vez em que me perdi da minha professora eu não chorei, não me apavorei, simplesmente tentei procura-la pelo colégio, este foi um fato marcante da época, porque todos ficaram loucos tentando me achar. Encontrei uma sala de aula aberta, estava vazia. Cadeiras grandes e altas a diferenciavam da minha, não haviam desenhos nas paredes, lembro que o quadro estava cheio de palavras, não sabia ler naquela época não posso dizer o que estava escrito, porém comecei a chorar. Não me lembro direito da sensação que senti, mas sei até hoje exatamente o motivo. 

O sinal tocou e apareceram muitas pessoas. A professora entrou na sala, me viu e veio saber porque eu chorava. As palavras sinceras de uma criança de 7 anos me fizeram entender muitas coisas hoje. Eu disse: "Tia, eu nunca quero crescer, quando a gente cresce a professora não escreve colorido no quadro e nem cola desenho na parede."

 Acho que até hoje ninguém consegue entender. Acho que até hoje nem vale a pena explicar.



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